15/11/2013 | 00:01Juliana Gonçalves
Falta de identificação em jazigos causa confusão
Equívocos na localização das sepulturas já exigiram a exumação de um corpo; direção diz que famílias provocam trocas
A falta de identificação nos túmulos da área de expansão do Cemitério Municipal de Cambé tem gerado transtornos para as famílias que ali enterraram seus parentes. Equívocos nas localizações das sepulturas já exigiram a exumação de um corpo para confirmar o túmulo.
Em julho de 2012, Rosilene Ferreira e seus nove irmãos enterraram o pai, João Maria Ferreira, no terreno cuja concessão pagaram à prefeitura de Cambé. Na parte mais nova do cemitério, as sepulturas são feitas na grama - sem a construção de túmulos -, e a identificação, com o nome e a foto do falecido, é colocada em uma placa de mármore.
Pouco tempo depois, a família de Rosilene teve dúvidas se o túmulo onde estava a placa com a identificação do pai era o mesmo em que ele havia sido sepultado. “Quando eu fui colocar a placa de identificação, o coveiro me indicou aquele que seria o túmulo do meu pai, mas não batia com os pontos de referência que eu tinha do enterro”, conta. No túmulo que ela acreditava ser do pai, já havia a identificação de outra pessoa.
A dúvida perdurou por nove meses, até que a mãe de Rosilene, Prudência Viana Ferreira, também faleceu, em abril de 2013. Os filhos não queriam sepultar a mãe no túmulo onde estava a placa do pai porque acreditavam que não era ali que estavam os restos mortais dele.
“A administração do cemitério, acompanhada do nosso advogado, pegou a documentação e, pelo mapa, descobriu que o nosso túmulo era outro, onde estava a placa com o nome de uma mulher”, lembra. A certeza só veio com a exumação do corpo. Na sepultura onde se via a identificação de uma mulher, estavam os restos mortais de João Ferreira.
Recentemente, a família voltou a se sentir incomodada pela situação. No Dia de Finados, os filhos se assustaram ao notar a terra remexida no jazigo dos pais. “Parecia que tinham mexido ali, que tinha sido aberto o túmulo”, afirmou Rosilene. Por conta disso, a família vai pedir ao Ministério Público que providencie a exumação dos corpos. “Como é que vamos ter certeza que são nossos pais que estão enterrados ali?”, questiona.
Equívoco das famílias
O responsável pela administração do cemitério, Luis Carlos Girotto, confirma que já surgiram dúvidas sobre algumas sepulturas e diz que, em alguns casos, o equívoco é cometido pela própria família. “As sepulturas são ocupadas pela ordem de falecimento. Então, quando a família vem enterrar o parente, aquela é a última cova ocupada. Quando eles retornam, o cemitério já cresceu, outras pessoas já foram enterradas e aí se enganam, trocam as lápides”, explica. Segundo ele, boa parte das sepulturas não está identificada com nomes e fotos, o que facilita a confusão.
Sobre a terra remexida, Girotto esclarece que faz parte da manutenção do cemitério. “A prefeitura não tem recursos para ficar repondo a grama, então jogamos terra para cobrir as falhas nas sepulturas”, justifica. Segundo ele, não existe a menor possibilidade de o túmulo dos pais de Rosilene ter sofrido qualquer interferência sem o conhecimento da família. “Qualquer movimento na sepultura só é feito com autorização do proprietário do terreno”, garante.fonte JL/Jornal de Londrina.